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Consultor prevê cautela no curto prazo e recuperação do mercado do boi gordo no fim de 2026.

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  • Silvana Nadir Garcia Machado MTE - 103/MS
  • 01/07/2026

Por: Assessoria

O médico-veterinário Hyberville Neto, consultor da HN Agro, apresentou uma análise do mercado da pecuária de corte durante palestra promovida pela Associação Marias do Agro, em parceria com a Associação Novilho Precoce de Mato Grosso do Sul. O evento reuniu produtores rurais interessados nas perspectivas para o setor ao longo de 2026.

Segundo o especialista, o mercado vive um momento que exige cautela, principalmente neste meio de ano, em razão das incertezas relacionadas às cotas de exportação de carne bovina para a China.

“Nossa expectativa para este período é de um cenário mais complexo, com uma pressão de baixa um pouco mais intensa sobre a arroba. No entanto, não enxergamos espaço para um derretimento dos preços”, afirmou.

Hyberville explicou que a renovação das cotas chinesas será determinante para o comportamento do mercado nos próximos meses.

“Essa questão das cotas da China precisa ser acompanhada de perto. Ela é um dos principais fatores que influenciam o mercado neste momento.”

Apesar das incertezas de curto prazo, o consultor acredita em uma recuperação no último trimestre de 2026.

“Nossa visão para o fim do ano é bem mais positiva. Teremos a renovação das cotas da China para os embarques de 2027, a demanda tradicional de final de ano e ainda um ambiente de eleições, que normalmente faz circular mais dinheiro na economia.”

Menor oferta de carne

Outro fator destacado por Hyberville Neto é o início da retenção de matrizes, movimento que tende a reduzir a oferta de carne bovina.

Segundo ele, o aumento no preço do bezerro, observado desde 2024, já começa a refletir na diminuição do abate de fêmeas sob inspeção federal.

“A tendência é de uma oferta menor de carne. Com menos animais disponíveis e exportações mantendo um bom ritmo, sobra menos carne para o mercado interno, o que ajuda na sustentação dos preços da arroba.”

Ele observa, entretanto, que esse cenário ainda convive com um ambiente econômico nacional que inspira cautela.

Evolução dos preços

Ao fazer uma retrospectiva recente, Hyberville lembrou que o mercado mudou de patamar no segundo semestre de 2024, quando ocorreu uma forte valorização da arroba.

Em 2025, os preços permaneceram relativamente estáveis, sustentando boa parte da alta registrada no ano anterior.

“Talvez tenha frustrado quem esperava novas altas, mas não podemos dizer que foi um ano ruim. O mercado trabalhou com oscilações relativamente contidas e manteve um bom nível de preços.”

Já em 2026, segundo ele, os primeiros meses apresentaram um dos melhores desempenhos da última década.

“Tivemos uma curva de preços entre janeiro e abril entre as melhores dos últimos dez anos. Agora entramos nesse período de atenção por causa das cotas da China, mas, na comparação anual, os preços continuam superiores aos do início do ano passado.”

Recomendações aos produtores

Durante a palestra, o consultor orientou os pecuaristas a aproveitarem as oportunidades de comercialização sempre considerando as expectativas futuras do mercado.

“O mercado do boi gordo oferece oportunidades que precisam ser aproveitadas. Lucro menor não quebra ninguém, mas perder uma valorização importante reduz o poder de compra na reposição do rebanho.”

Para os produtores que trabalham com confinamento, Hyberville recomenda utilizar ferramentas de proteção de preços.

“Nossa sugestão é que, sempre que possível, o produtor garanta pelo menos um preço mínimo para sua produção. Os preços futuros para o fim do ano ainda não nos parecem atrativos, porque acreditamos que o mercado poderá trabalhar acima desses níveis. Mesmo assim, quem já tem data para vender deve assegurar um piso para reduzir riscos.”

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